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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cansadinha

Isto de ir anilhar é muito giro, mas tem os seus efeitos... ainda para mais quando se sai de casa de madrugada, só se volta 10h depois, e a tarde ainda vai a meio :)

Mas... verdade seja dita que me sabe pela vida :) principalmente quando a desorganização é tal que tenho a sorte de ir sozinha às redes e as encontro "cheias" de coisinhas penduradas. É sem dúvida a parte que gosto mais... tirar os bichinhos da rede :) Para além do desafio, farto-me de falar com eles eheh :) Hoje deu para tirar "muita" coisa. Para além dos piscos, atricapillas e melros habituais, ainda me passaram pelas mãos alguns verdilhões, carriças, trepadeiras, chapins (ater, azul e major) e tentilhões. Mas circularam pela mesa de anilhagem também melanocephalas, aegithalos, spinus e illiacus. 48 aves processadas até não foi mau... foi uma manhã bem passada :) por essas 11h30 ainda foram servidos vários tipos de chá (o grupo ganhou hoje um bule eléctrico para aquecer água), rissóis (de carne e vegetarianos!), queijadas dos açores e molotof algarvio. Hmmmm :)))

Agora é pedir ao S. Pedro que se porte bem e não deixe cair água dia 21 e 22 para podermos ir passear para Viana!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

#59, #60 e #61

E porque as sessões no parque ultimamente até não andam más, hoje anilhei 3 bichinhos novos =D Tordo-ruivo (Turdus illiacus), Pintassilgo (Carduelis carduelis) e Tentilhão-montês (Fringilla montifringilla). Para além disso ainda havia 2 Sombrias (Emberiza hortulana), uma das quais acabou por fugir sem anilha... mas pronto :P overall foi positivo ^^

nem sei porque se chama Tordo-ruivo :P (imagem de Ricardo Vieira)


Pintassilgo (imagem de Ricardo Vieira)
Tentilhão-montês (imagem de Ricardo Vieira)
Sombria *.* são mesmo giras :) (imagem de Ricardo Vieira)

domingo, 27 de janeiro de 2013

#58 - Lugre

Ontem foi dia de PBG e (acontecimento raro naquelas paragens!) tive direito a uma espécie nova :P

Um casal de lugres (Carduelis spinus) decidiu colaborar e tanto eu como o Sidónio ficámos todos contentes :)

Imagem de Ricardo Vieira

São bichinhos bem bonitos ^^

Apesar da sessão ter começado muito mal (portas inchadas que teimavam em não abrir e árvores caídas que nos impediram de chegar às linhas ou de as montar no local habitual), anilharam-se 36 aves e recapturaram-se 11, o que não foi nada mau até :)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Faia Brava Fest

6ª-feira, 19 de Outubro, 14:10 - mais uma vez de mochila ás costas e à espera de um autocarro! :D 

Desta vez o destino final foi nada mais nada menos do que, o meu tão estimado cantinho, a Reserva da Faia Brava! Embora confirmado um tanto para o em cima da hora, o evento que ía ocorrer era o Faia Brava Fest, e tinha tudo para ser um fim de semana em grande! :D Combinada a boleia até Algodres, só tive de me deslocar até Coimbra de autobus e depois seguir agradavelmente de autocaravana com alguns membros do aficionado grupo de anilhagem  PADA e colaboradores (para fotos do fim-de-semana espreitem aqui). O jantar foi on the road e chegados à Faia Brava, já bem depois do anoitecer, fomos recebidos pelo António Monteiro que estava bastante entretido a manter uma bela e calorosa fogueira, que rapidamente nos tirou a vontade de dali sair e montar o material. Mas... a man's gotta do, what a man's gotta do e lá fomos nós armados de frontal na testa, varas, estacas, cordas, e redes, a fim de preparar tudo para um dia de anilhagem...! A trupe era grande e o terreno já era para alguns mais ou menos familiar, pelo que algumas redes foram montadas em locais já usados nos anos anteriores, enquanto outras ficaram por montar de manhãzinha, quando a luz já nos deixasse ver alguma coisita. A noite não estava tão fria como pensei que estaria e até fomos brindados com um simpático céu estrelado, daqueles que só se vê nos cantinhos mais remotos, sem a poluição luminosa das grandes cidades, assim como com meia dúzia de estrelas cadentes :) Ainda assim a dormida não foi especialmente agradável, frio e pessoas "a respirar" (que é como quem diz a roncar) não me deixaram ter um sono contínuo, mas nada que me tenha tirado a boa disposição pela madrugada :) 


06:30 e os despertadores foram tocando pelo acampamento. Ainda não eram 06:45 e já estávamos todos reunidos, de sacos ao ombro ou nos bolsos e furlers na mão, a fim de abrir as redes e montar as restantes. Tudo aberto e montado e num dos olivais fomos logo brindados com muitos chapins-rabilongos, azuis, chamarizes, alguns piscos, toutinegras, tentilhões, e sei lá mais o quê. Not bad for a start. A manhã foi passada a processar bichinhos e a ir às redes. Escrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus) foi o bichinho novo da manhã para mim, embora também me tenham passado pelas mãos uma petinha-dos-prados (Anthus pratensis) e um picapau-pequeno (Dendrocopos minor). Antes do almoço a libertação de um grifo com o Ricardo Brandão para os elementos interessados, e paparoca na Sabóia sob a agradável sombra de uns belos freixos. Deu para colocar a conversa em dia com o sr. António e perceber bem que para aqueles lados não me safo, pelo menos não com a ATN. A minha única esperança de me mudar para o interior reside agora numa candidatura a doutoramento. Enquanto houver vontade há esperança :) As redes ficaram abertas o dia todo, por isso logo a seguir ao almoço recebi o 2º bicho novo do fim-de-semana, uma cotovia-arbórea (Lullula arborea) :) a tarde foi passada a visitar redes (algumas bastante agradáveis :P ), a tratar dos bichinhos e a desmontar as linhas menos "produtivas", enquanto a maioria dos elementos do grupo foi dar um passeio pela reserva. Apesar da vontade e do esforço, melros-azuis nem vê-los, mas pronto. Ao cair do dia, antes de fechar as redes, ainda recebemos mais  umas dezenas de bichos, entre os quais uns chapins-de-crista (Lophophanus cristatus) que embora já tivesse visto na mão, nunca lhes tinha oferecido uma pulseira de metal e que foram portanto a 3a sp. nova do meu fim-de-semana ^.^ Já depois do por-do-sol ainda fomos  montar redes num cantinho ali perto e uma outra para bichos grandes, que acabou infelizmente por não render nada. O serão foi passado à volta duma fogueira, a falar disto e daquilo, e com o sr. Paulo normalmente a dominar a conversa. O mais giro para mim mesmo, quando contacto com ele, é ver o orgulho com o qual normalmente fala do seu menino de ouro :) orgulho esse que, verdade seja dita, não consigo também deixar de sentir ao ouvir falar dele :)

A noite foi agradável e desta vez bem dormida. Para além de ter a caravana só para mim, tinha 2 sacos de cama extra que me deixaram dormir mesmo mesmo quentinha :)) O pior mesmo foi a coragem de madrugada para sair do quentinho, mas nada que tenha demorado muito tempo a resolver! Pouco depois já estávamos todos novamente reunidos a fim de abrir as redes e na primeira ronda, para começar bem o dia, nada mais menos nada menos do que um noitibó-de-nuca-vermelha (Caprimulgus ruficollis)! Foi ver uma certa pessoa a correr para as redes a tentar evitar a suposta fuga dum melro, e vê-lo de repente a mudar de trajectória e a sair dali com um grande sorriso no rosto :) bem que o tínhamos ouvido na noite anterior :) o resto da manhã foi bastante tranquilo e o ponto alto para mim foi mesmo na última ronda, após ter reclamado da falta de pegas-azuis (Cyanopica cyanus) e de elas terem passado no local onde pouco antes estava uma rede, duas delas terem caído na linha que tínhamos um pouco mais à frente :D embora uma ainda tenha fugido da rede, a outra não teve tanta sorte :) felizmente, a maioria dos presentes já tinha anilhado um bitchinho destes e eu pude ter a honra de a processar. Tenho a dizer que é um animal mesmo fixe :) são lindas! E a meu ver podiam muito bem ser apelidadas de "os papagaios do mediterrâneo" eheh :D

Tenho que admitir que depois da pega-azul, o meu dia/fim-de-semana ficou mais que ganho :D Ainda não estou bem em mim, e é estranho pensar como tudo isto tem evoluído, mas começo a aperceber-me que é difícil não se ganhar o bichinho da coisa...! Após 1 ano de anilhagem "desportiva" acho que posso dizer que evoluí x) mexer nos bichos e tira-los da rede deixou de ser o bicho de 7 cabeças que era (nada como o tempo para o ganho de confiança), e embora ainda seja um tanto para o lenta e muito nabinha, já estive bem pior suponho :P

E assim foi o meu fim-de-semana :) depois de tudo arrumado e almoço comido (carninha na brasa para os carnívoros e salada de feijão-frade para mim), e alguma indecisão (ficar por Figueira uns dias ou não ficar heis a questão!), lá abalei com os PADA e companhia até Coimbra. Para acabar bem o dia ainda houve saldamento de dívidas no McDonalds e depois foi dormir até casa eheh =P

Agora tenho que me dedicar à apresentação da tese (e cheira-me que fazer um poster)... mas falta a coragem! Ontem ainda fui até à Tornada e consegui (não que o mérito seja meu), apanhar um bichinho ainda mais azul que a pega, um guarda-rios (Alcedo atthis) :D Hoje está de chuva por isso não há anilhagem para ninguém, mas sou capaz de dar mais uns pulinhos à Tornada de vez em quando :)

sábado, 15 de setembro de 2012

Quase quase

Mais 2 cromos e chego aos 50  ^^ Dado o desportivismo com que encaro a coisa, até já ultrapassei as expectativas xP

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

^.^

Tenho andado com preguiça de cá vir escrever, não porque não tenha coisas para contar, mas porque o ritmo dos últimos tempos tem sido algum e a pressão para me concentrar na tese alguma. 

Depois da bela semana no Sabor lá fui com o Ricardo para Montalegre em busca de passarinhos. Foram 3 dias que não renderam muito em termos de bichos, mas que me permitiram anilhar meia dúzia de coisinhas, algumas delas novas para mim :) Sylvia borin, Emberiza cia e Pyrrhula pyrrhula foram os convidados de honra de uma das sessões e deixaram-me bastante satisfeita :) 


De volta ao Porto não tardou muito até que partisse novamente, mas desta vez para sul. Serra do Açor here I come. Foi pouquinho tempo é certo, mas deu para apanhar algumas coisinhas (muito esperadas sylvias melanocephalas e cantillans), e para aproveitar a companhia duma certa pessoa. Não fosse termos furado um pneu no segundo dia (após andarmos a tarde toda "perdidos" á procura dum sítio para anilhar... definitivamente as coisas quando não correm bem, só tendem a correr pior =/ ), e teríamos apanhado muito mais coisinhas :) apesar de tudo ainda consegui anilhar 3 coisinhas novas (nabice na identificação à parte): Rouxinol Luscinia megarhyncos, Pintarroxo Carduelis cannabina e Felosa-poliglota Hippolais polyglotta.

Novamente de regresso ao Norte, mal tenho tempo para "descansar" e sigo novamente para o Gerês, mas desta vez para os bichinhos com pelo. Não apanhamos grande coisa (as noites estavam muito frias), mas só as paisagens valeram o esforço. Isso e os bichos que apanhamos por engano nas redes ^^ Melro de água foi uma novidade para mim, tanto em termos de observação, como na mão. Noitibó nem tanto, mas são sempre giros de apanhar :) Na última noite fomos recompensados com uma boa diversidade de coisinhas peludas e fiquei com vontade de voltar para uma ponte que descobrimos estar carregadinha de morcegos-rabudos.  (Isso e mais uns mergulhos naquelas águas fantásticas *.*)


Novamente de regresso à Invicta poucos dias depois estava a caminho de Caminha para apanhar mais coisas com penas. Foi só uma manhã, mas rendeu alguns muito necessitados tentilhões. Desta vez para além de assumir a parte da anilhagem  dos bichos (Pica-pau-malhado-grande, Verdilhão e Gaio para mim ^^) ainda tirei sangue a meia duzia deles que felizmente sairam a voar lindamente. Definitivamente o meu maior mal é o medo de fazer mal as coisas e a falta de confiança. Tem sido uma batalha intensa desde tenra idade, e a meu ver já melhorei bastante, mas ainda tenho um longo precurso pela frente :)

Coruja-das-torres (Tyto alba)
Back to Porto, de volta aos resultados da tese. Alinhar sequências dos meus bichinhos e fazer networks, tentar resolver haplótipos de heterozigóticos, e quando parecia já não ter nada que fazer (a não ser escrever) chega-me um mail do Sergei (orientador) com as sequências finais da malária... Organizar tudo, descrever haplótipos, começar a analisar os resultados. Nos intervalos, anilhagem no Parque Biológico, aventuras no centro de recuperação do parque a apanhar gaivotas, a anilha-las e a marca-las com anilhas coloridas, assim como bichinhos prestes a ser devolvidos à Natureza (Águia-de-asa-redonda Buteo buteo, Coruja-do-mato Strix aluco, e Coruja-das-torres Tyto alba). Como se não chegasse ainda consegui tirar mais um fim-de-semana e fui rumada a Viana do Castelo, participar numa sessão de anilhagem Ciência Viva no Verão no Paul do Coura com o pessoal do parque e o sr. Peter Fearon (junior) e a namorada Tineke. Foi fixe :) e ainda tive direito a 4 bichinhos novos: Escrevedeira-dos-caniços, Felosa-musical, Rouxinol-pequeno-dos-caniços e Rouxinol-grande-dos-caniços. 

Chegados ao Porto seguimos quase directos para o Parque Biológico para acabar de tratar das gaivotas, mas quando lá chegamos tinhamos à nossa espera bichinhos apreendidos/recuperados a precisar de ser soltos. Estorninho e Borreiro-de-coleira-interrompida foram a novidade para mim, mas anilharam-se uns quantos chamarizes, verdilhões e pintarroxos. O Peter ainda teve direito a um Cuco-rabilongo o que o deixou com um grande sorriso na cara eheh. Na hora da despedida ninguém parecia com muita vontade de dizer adeus e não fosse o Peter ter perguntado novamente se eu sempre queria ir à sessão "1km de redes" no Paul do Taipal em Montemor e eu teria-me também despedido deste casal caricato. Assim sendo, aceitei com um grande entusiasmo, voltei para casa e arrumei toda a minha tralha a fim de seguir para sul "definitivamente". Tudo arrumado em sacos e mais saquinhos vi-me obrigada a comprar uma mala para conseguir levar tudo e felizmente tive ajuda do sr. João até à estação e depois do Peter quando cheguei a Coimbra. 

A sessão no Taipal foi no mínimo curiosa, rodeada de uma cambada de "cromos" da passarada, o género feminino estava claramente em minoria. Sendo ainda para mais o único membro do parque biológico (os outros dois presentes são actualmente "desertores" que encontraram orientação mais capaz), fui claro alvo de alguma chacota. Mas podia ter sido bem pior suponho. Verdade seja dita que me colei ao(s) Peter (já que de manhã o senior também nos acompanhou :) ), a fim de evitar dizer muitas barbaridades e principalmente porque eles ao invés de gozarem com as pessoas, explicam-lhes as coisas com toda a humildade do mundo, e isso é de aproveitar ao máximo principalmente quando ambos têm uma vasta experiência. Mais uma vez tive direito a meia dúzia de bichinhos novos, 3 espécies de andorinha (dos telhados, dos beirais e das barreiras), 2 felosas (unicolor e dos juncos) e 1 pato-real (que na realidade era uma pata eheh).

 Foi muito giro :) mas de certa forma estranho também... estar com uma certa pessoa e comportar-me como se fossemos meros conhecidos é algo que me faz muito confusão... Mas enfim... como se costuma dizer "engoli o sapo" e pronto. 

No fim da sessão fomos todos (ou quase, já que os Peters não nos acompanharam) almoçar e depois cada um foi á sua vidinha. No meu caso isso ainda incluiu ir comer um gelado ao novo McDonalds de Coimbra com um certo fofinho e depois lá segui viagem até casa :)

Agora é dar-lhe na tese tanto quanto possível!!!

Boas férias aos que não têm nada que fazer,

eu não me posso queixar-me muito que fiz questão de as ir tirando eheh :)

Passarada agora só pelo "quintal" eheh

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Boa vida

E assim se passou mais um fim de semana na Invicta. As saudadinhas de casa já são algumas (não vou lá desde o Natal), mas no próximo fim de semana já vou tratar disso =) 

No Sábado fui novamente à anilhagem no Parque Biológico. A processo de montagem de redes parece-me sempre demasiado longo e é com alguma comichão que vejo a luz do dia e o movimentar da passarada enquanto o mesmo se desenrola. Desta vez, e para ajudar à festa, alguém se enganou a trazer as redes, atrasando tudo ainda mais. Mas enfim =P no comments. Pequeno-almoço e tal e seguimos para a primeira ronda. Na linha que fui, nada de especial, um piscozito e um melro. Este no entanto foi complicado de tirar... Não sei exactamente que voltas o bicho deu, mas uma das asas estava um tanto para o enrolada. Muita paciência e depois de se ter dito "bom, vou fazer uma coisa que nunca fiz", que é como quem diz cortar a rede, lá se conseguiu soltar o bicho sem estragar o material. Isto ameaça-se o material e ele parece colaborar :P isso ou lá acordamos e vimos como resolver o embrulhanço x) De volta à mesa de anilhagem, e para grande satisfação minha, depois do anilhador responsável confirmar as minhas medições do primeiro bichinho, fiquei dispensada de confirmações de coisas pequeninas durante o resto da sessão =) pela primeira vez não anilhei nada de novo, mas processei uma estrelinha e ainda andei "a brincar" com um gaio. 

Regulus ignicapillus macho (Estrelinha) - imagem de Ricardo Vieira
Nas redes caíram ainda pardais, chapins-reais e rabilongos, toutinegras-de-barrete, mais piscos e melros, trepadeiras, uma ferreirinha, um tentilhão e mais nada que me lembre. Os bichos não foram muitos, principalmente tendo em conta o número de pessoas presentes, mas deu para entreter =) Dada a aparente falta de toutinegras invernantes ficou combinado a montagem de redes extra para a próxima sessão com recurso a chamamentos... com um bocadinho de sorte caem coisinhas novas =) 

No Domingo, embora tenha pensado ir até á margem Sul do estuário do Douro, acabei por ficar por casa. Deixei-me dormir até me apetecer e só por essas 11h é que saí da cama eheh =) ainda cusquei as marés, mas despachar-me e não, apanhar o autocarro, quando lá chegasse a maré já estaria alta. Fica para a próxima =P

E como tinha prometido ir chatear alguém na segunda-feira, tirei um diazinho de folga e rumei a Aveiro City. O tempo foi mais que pouco para não variar muito... (interrogo-me se alguma vez vai saber a muito, mas acho que não =P ) mas foi melhor que nada e soube muito bem =) a pagar um gelado de cada vez é que acho que nunca vou conseguir soldar a minha dívida =P

Agora estou aqui agarrada ao pc a passar folhinhas para excel e as previsões para o resto da semana são laboratório, laboratório e laboratório. Oh well... há coisas piores =)

Have a nice week!



Ps: depois de me terem ameaçado arrancar-me a pulseira que uso no pulso direito... parti-a eu sem querer :$ it had a special meaning... já andava no pulso há 2 anos e poucos... quero outra ='(

sábado, 5 de novembro de 2011

Anilhagem #2

 

Hoje foi mais uma manhã dedicada a apanhar coisinhas com penas :) eheh é sempre agradável, nem que seja pelo levantar cedo e o conviver com pessoas para falar... claro está... de bichos :) O tempo ameaçou chuva e ainda caíram uns pinguitos, mas nada de mais pois a meio da manhã já o sol brilhava entre as árvores. Foi fixe :) as avezinhas colaboraram (em grande parte devido à montagem de uma rede junto a um comedouro), e até deu meia dúzia de bichos a cada um, sendo que eu fiz 4 espécies novas (apesar de já as ter visto várias vezes ao perto, nunca tinha anilhado propriamente nenhuma). Não consigo deixar de ficar admirada com o as voltas que esta vida leva... Dissessem-me a mim há coisa de 3 anos que eu ía trabalhar com aves e eu ía achar impossível e que tal só aconteceria por necessidade extrema. E agora é isto. Tenho que admitir que começou não por minha vontade, mas depressa se tornou um desafio e um prazer. Primeiro a questão da identificação e dos cantos. Embora continue a ser extremamente naba, não deixa de ser algo que me fascina e me agrada profundamente. Pode parecer estúpido, mas sair à rua e saber o que estou a ouvir dá-me uma sensação de proximidade com o que me rodeia indiscritivel... é como se eu, e aqueles bichinhos aos quais me tenho dedicado, falassemos todos a mesma língua... e embora eles não me entendam e eu a eles, não deixa de ser confortável saber que eles andam por aí e de certa forma me fazem companhia onde quer que eu vá. Seja na faculdade quando saio de casa de manhã, na rotunda da Boavista a caminho do metro, nos pastos e campos de milho até Vairão, e mesmo nos meus minutos de espera no laboratório em que decido vir até à rua para desfrutar um bocadinho do sol e de toda a vida que ele proporciona. Bom, mas já estou a divagar. Voltando ao tema da anilhagem. Hoje senti pela primeira vez o bichinho da coisa. Ou pelo menos foi a primeira vez que dei conta dele. Mais do que o gosto pelo contacto com os pequenitos, há também o desafio de os retirar das redes, de lhes tirar as medidas correctamente e (o que hoje me marcou) atentar a pequenos pormenores para lhes atribuir uma idade. Não é fácil. Mas dependendo da espécie também não é dificil. Implica olhar para os bichos de outra forma... forma essa que vai além de ver o padrão geral que nos permite normalmente chegar à espécie. Passa a ser preciso olhar para as penas em si, se estão gastas ou não, se são iguais ou se umas são mais novas que outras, se apresentam uma determinada coloração ou se são mais arredondadas ou pontiagudas. E tudo isto varia com a espécie. E com a altura do ano. E com o indivíduo. É o caos. É tudo novo. É tudo giro. Achei piada. E sim, o pessoal do parque pode não ser do pessoal mais entendido no assunto que por aí anda, mas são boas pessoas. E mais do que isso. São pessoas que gostam de partilhar conhecimento. Pessoas que têm prazer em passar o que sabem e que o fazem de uma forma humilde. De igual para igual. De ser humano para ser humano. De quem tem perfeita noção que quando começou também não sabia nada e que apesar de não ter sido por vezes tratado com o devido respeito, não faz o mesmo aos outros. Muito pelo contrário. E assim foi a minha manhã. De volta dos passarinhos, a ouvir pessoas que apesar de tudo sabem mais que eu, e a tentar absorver tanto quanto possível o que me tentaram transmitir. As redes já não me metem tanto medo (embora continuem a ser o meu maior desafio xD nada como a experiência eu sei...), as medidas lá as vou acertando (hoje recebi mais um elogio depois de por duas vezes as ter tirado todas iguais ao anilhador responsável... casas decimais e tudo >.< pelo que consta fui a aprendiz que mais depressa "atinou" com as medições... pessoalmente continuo a achar que é sorte de principiante mas enfim :P ), e no que toca às idades ainda é preciso passar-me muitos bichos pelas mãos, mas pelo menos os chapins reais já os estava a acertar sozinha :) foi giro foi giro :) só é pena não haver disto todos os fins-de-semana... mas pronto. Já é melhor que nada :)


sábado, 15 de outubro de 2011

Anilhagem

Hoje foi a minha terceira experiência de anilhagem! E mais uma vez posso dizer que correu bem :) fiz mais 3 espécies novas (ou 4 se considerarmos as processadas), o que já não foi mau de todo, embora quase todas as espécies sejam, por enquanto, potenciais espécies novas para mim. Posso dizer que já vi uma boa diversidade delas na mão, mas anilhadas por mim só vão 11 =P Podia ser pior =P As actividades seguiram-se tarde a dentro com palestras sobre a anilhagem em Portugal, a sua importância, o que tem sido feito no Parque Biológico de Gaia neste sentido, assim como a experiência que tem sido para alguns dos membros do grupo. Foi engraçado I guess. Nem que seja porque com o tempo estou a conseguir entrar nesta actividade, embora por enquanto ainda um pouco na desportiva. Como já disse milhentas vezes, gosto do contacto com os bichinhos :) Uma opção de vida interessante? Conseguir trabalho no interior do país e apanhar bichinhos nas horas vagas naquela paisagem fantástica, contribuindo assim para o conhecimento de uma das zonas que mais me atrai no país. É uma opção deveras cativante :) hmmm eu quero :)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ringing

E depois do que foi uma semana fantástica, nada melhor do que termina-la num fim de semana em grande! eheh pois é, Faia Brava lá fui eu =D Ai ai este cantinho de Portugal dá cabo de mim! Sabádo de manhã, comboio até ao Pocinho. A viagem, embora já familiar, não deixa de ser deslumbrante com o belo Douro e as suas encostas a correr ao lado da linha férrea. Pela hora de almoço lá chego a Figueira e dou logo de caras com o António e as suas pequeninas no jardim. Conversa para aqui e tal, e sigo com eles para ver os Garranos que estão, graças à falta de comidinha na reserva, de férias no convento. São uns bichos muito amigáveis =) e sempre um prazer de ver e fazer meia dúzia de festinhas :) Garranos contados, vou almoçar a casa do antónio em castelo rodrigo e entretenho-me a brincar com as pestinhas. Como é bom ter menos de 5 anos :) a curiosidade que lhes corre nas veias deixa-me sempre fascinada. É aquele olhar atento que nos lançam quando contamos ou explicamos alguma coisa... Aquele (sor)riso genuíno que soltam quando acham piada a alguma coisa... enfim :) depois de contada a história da barbie mosqueteira e de lhes explicar (e exemplificar =P ) como perdi as cócegas quando era pequenina, segui monte abaixo em direcção a Figueira. Sabe sempre tão bem quando regresso "a casa". Não consigo deixar de me sentir assim quando vou para aquelas bandas. Já no final da tarde fui passar com o sr. nabais e os amigos até à Faia e fiquei finalmente a conhecer a nova organização das "Hortas da Sabóia" , centro de operações da reserva e espaço de recepção aos visitantes. Tenho a dizer que está muito fixe :) ficou tudo arrumadinho e organizadinho! Um dos casebres foi finalmente recuperado e as mesas de piquenique foram finalmente mudadas para um local fresco, debaixo de uns agradáveis freixos. Abandono o pessoal ao cair do dia e fico pela Sabóia enquanto eles seguem para cidadelhe. Aproveito para apreciar o pôr-do-sol e o recolher da passarada enquanto a noite me acolhe. Já envolvida pela escuridão, entretenho-me à luz do telemóvel a tentar identificar uma petinha que encontramos com um problema nas asas no espaço dos Garranos. Parece-me ser uma petinha-dos-prados, mas não sei :P Entretanto lá chega o Eduardo e seguimos para o alto da Santa Bárbara a fim de fazer umas horinhas de vigilância contra incêndios. A noite foi fresca e calma, os morcegos fizeram-nos companhia o tempo todo a caçar os insectos atraídos pelas luzes da capela. Além destes, 2 noitibós passeavam-se por ali, ora pousando nos postes e fios, ora esvoaçando atrás de alguma coisa. Aproveitamos para colocar a conversa mais ou menos em dia e para jantar, e o tempo até passou rapidamente. O anúbis entretanto deitou-se ao meu colo, protegendo-me assim do frio eheh :)

Vigilância terminada e seguimos para casa, eu directamente para cama depois de um banhinho rejuvenescedor, e o resto do pessoal ainda ficou a engonhar na cozinha. Apesar da semana não ter tido direito a muitas horas de sono, acordei por volta das 7.30 com pardais e estorninhos a escorregar no telhado. Ainda tentei voltar a adormecer, mas entretanto fartei-me de estar na cama e fui dar uma voltinha. Nas ruas ouvia-se o cântico de centenas de estorninhos espalhados um pouco por todo o lado e por momentos consegui recordar as manhãs em que isto era a minha rotina. Bons tempos esses em que não saia de casa de phones nos ouvidos para não ter que levar com o ruido citadino. É tão mais agradável os estorninhos a chilrear com os seus assobios melodiosos =) Aproveitei a volta para passar no supermercado e trazer qualquer coisa para fazer para o almoço. Nada de muito elaborado (esparguete á bolonhesa vegetariano é sempre algo rápido e fácil de cozinhar) e ainda trouxe uma caixa de gelado para partilhar com o pessoal, mas mais ninguém almoçou propriamente... pelo que ficou quase cheia no congelador para comerem mais tarde.

A tão ansiada hora de partida para a reserva a fim de conseguir montar as tendas antes da chegada do pessoal da anilhagem lá chegou e seguimos de defender até à Sabóia. Montamos as coisas e ainda tivemos tempo de ir tomar qualquer coisinha ao café do sr. henrique. Esperamos e esperamos pelos ditos cujos, mas deles nem sinal. Tinha ficado combinado que nos ligariam quando chegassem, mas... quase ás 17.30 recebemos uma chamada do antónio a dizer que eles já se encontram na reserva. Enfim... há pessoas assim :P Quando lá chegamos já andavam eles atarefados com material dum lado para o outro a montar as redes. Ajudei no que pude e na hora de fechar as redes ainda apanhamos meia dúzia de bichinhos. Papa-moscas (Ficedula hypoleuca) em passagem, um rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus), meia dúzia de chapins-azuis (Parus caeruleus) e mais tralha que já nem me lembro bem. Os bichinhos passaram a noite dentro dos sacos e só foram processados na manhã seguinte, pelo que pudemos jantar com calma e ainda montar mais uma rede para tentar apanhar noitibós. Ao contrário do que estava à espera, acabei por dormir não dentro do defender, mas sim dentro da caravana do antónio que decidiu também dormir por lá :) De qualquer das formas o melhor do "fim-de-semana" foi mesmo a segunda-feira, pois apesar de não termos apanhado um número abusivo de bichos (cerca de 100), surgiu uma boa variedade de coisinhas :) trepadeira-azul (Sitta europaea), cotovia-escura (Galerida theklae), noitibó (Caprimulgus europaeus), taralhão (Muscicapa striata), papa-amoras (Sylvia communis), a bela da toutinegra-dos-matos (Sylvia undata), fora as de barrete (Sylvia atricapilla), cabeça-preta (Sylvia melanocephala), e de bigodes (Sylvia cantillans). Caiu também um picapau-pequeno (Dendrocopos minor), assim como alguns cartaxos-nortenhos (Saxicola rubetra) e duas poupas (Upupa epops), já para não falar nas coisinhas mais comuns como os chapins (Parus major e caeruleus), trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), melros (Turdus merula) e não me ocorre mais nada. Toda a gente presente teve direito à sua cota de bichinhos para anilhar e eu "re-iniciei" mais uma vez esta gira actividade. Depois de 3 míseros pardais anilhados no Parque Biológico de Gaia, fiz meia-dúzia de espécies novas, embora não ligue especialmente ao acto de anilhar, mas sim ao facto de poder ver o bicho na mão e de lhe mexer :P



E foi assim. Acabou-se a papinha-doce infelizmente. Para variar não me importava de continuar nesta vidinha mais uns dias (semanas, meses, etc...), mas é assim a vida. Estou de volta ao laboratório e aos tubinhos...

Ps: quase me esquecia, mas recebi o maior ego-boost dos últimos tempos de um senhor já com uma certa idade e experiência nesta coisa da anilhagem ao dizer-me que se eu continuasse a participar em sessões, tinha potencial para me tornar uma grande anilhadora =P agradeci carinhosamente o elogio (embora ache que tenho que discordar xD ) e ainda perguntei por que razão disse ele tal coisa, mas a única resposta que obtive foi um "Well... I've seen you today... and how you handled the birds... and I truly think you can become a great ringer. Don't give up!". Enfim, foi simpático da parte dele e sabe sempre bem ouvir estas coisas, mas para além de não concordar propriamente, não sei... acho piada lidar com os bichinhos e tal, e seria um "passatempo" sem dúvida interessante, mas...... a ver vamos o que a vida me reserva =) Uma coisa é certa, não me importava nada de repetir e muito menos naquela região =)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Eaten alive

E porque um dia não são dias e as oportunidades são para aproveitar quando surgem, hoje, ou melhor, ontem, fui para Salreu passear. O tédio reinava pelo cibio durante a tarde e a perspectiva duma noite de volta de bichinhos pareceu-me bastante agradável =) lá consegui sair mais cedo e rumei de metro ao Porto para deixar a tralha e seguidamente de comboio para Salreu. Não se pode propriamente dizer que fui apanhar bichinhos já que a minha contribuição para tal foi pouca ou nenhuma, mas fui assistir digamos e dar uma mãozinha no que consegui :) depois de andar meia perdida à procura do centro da bioria lá consegui dar com aquilo e segui caminho. O sol punha-se no horizonte e a bicharada preparava-se para sossegar. Pude ve-los e ouvi-los um pouco por todo o lado a mexer-se nos caniços, mas a falta de binóculos (e um certo grau de nabice :P) não me permitiu identificar grande coisa. Os sons, à excepção talvez dos das toutinegras-de-barrete e dos rouxinóis-bravos, eram-me na sua maioria desconhecidos, o que não ajudou muito. A sessão de anilhagem que tinha já começado antes de eu chegar (malditos transportes públicos) destinava-se à captura de Motacilla flava e acho que, picadas de mosquitos à parte, se pôde considerar um sucesso. Isso e eu ter conseguido não ir à agua :) para compensar consegui "perder-me" algumas vezes pelo meio do caniçal, mas isso são detalhes =P A retirada da passarada das redes prolongou-se até relativamente tarde e anilhagem da mesma até às 5 da manhã. Foi uma noite longa que apesar de tudo se passou muito bem e a qual não me importava nada de repetir, de preferência se conseguisse ser mais útil xP Vi algumas espécies novas =) finalmente um pisco-de-peito-azul Luscinia svecica, embora fosse fêmea e como tal não tivesse o peito azul xD, um rouxinol-pequeno-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus, e claro está as alvéolas-amarelas Motacilla flava de 3 ssp diferentes, M. flava flava, M. flava iberia e M. flava flavissima, e que ultrapassaram os 100 indivíduos. De madrugada (e depois de andar meia perdida novamente para encontrar o caminho de volta ao apiadeiro) consegui voltar ao Porto a tempo de tomar um banho e seguir para o cibio, pelo que hoje ando de directa. Não propriamente já que dormitei alguma coisita durante a viagem, mas pronto xD a parte pior é que tenho um jantar logo à noite, mas não há de ser nada :) por enquanto estou bem :) não fossem as memórias do que andei a fazer e até poderia pensar que tive uma noite descansada igual a tantas outras. As únicas provas de que ontem não dormi em casa são mesmo as picadas das melgas pelas mãos e cara, e um quarto um tanto para o desarrumado dada as minhas saídas apressadas. Enfim =) fossem estes todos os meus problemas e a minha vida até seria um tédio :P

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Morocco

(Atenção!!! Post perigosamente longo com cerca de 5 páginas! Depois não digam que não avisei...)

Regressada viva e inteira de Marrocos (contra os prognósticos de algumas pessoas =P ) aqui estou eu a tentar relatar por meias (muitas) palavras os acontecimentos das últimas semanas. Deveria provavelmente esperar por fotos de outras pessoas, já que as minhas são escassas, mas pronto. Ninguém me mandou ser preguiçosa.

Terça-feira, 3 de Maio, depois de anunciadas as não medidas do acordo com a troika e da barriguinha cheia com o jantar feito pela minha mãezinha, lá seguimos nós os 3 (que é como quem diz eu, o sr. orientador - aka ricardo, e o sr. sortudo) para terras estrangeiras. O timing não podia ser melhor. O sergei ficou-se por casa com uma valente dor de costas e nós fizemo-nos á estrada que a malfadada partida já tinha sido mais do que adiada. A viagem foi longa (para uns mais do que outros), mas surpreendentemente até consegui manter-me acordada durante algum tempo. Passada a fronteira com espanha a coisa já mudou de figura e a luta contra o sono foi constante. No final das contas acabei por me render sob o pretexto de que alguém iria ter que conduzir no dia seguinte (as desculpas que uma pessoa arranja para si própria ^^) e ás 7.30 da matina já estávamos em Tarifa prestes a embarcar no ferry para Tanger. Um pouco diferente do que já tinha andado em Manaus, em que basicamente ía tudo ao ar livre, este era composto por um andar para os automóveis e um outro repleto de salas e cadeiras para o pessoal desfrutar da sua viagem sentadinho e confortável. O ricardo aproveitou para dar umas pequenas tréguas ao sono e eu para chatear uma certa pessoa :) Chegados a Tanger tivemos que passar o serviço de fronteiras (sequiiinha) e depois de papeis preenchidos, passaportes checkados e carro inspeccionado lá nos deixaram passar. A cidade era diferente. O trânsito era meio maluco (ainda não tinha eu visto nada) e os sinais escritos com coisas esquisitas, as casas um tanto para o diferentes quase sempre inacabadas, mas o que chamava mesmo mais a atenção eram as dezenas de taxis azuis que pareciam estar por toda a parte. As primeiras paragens foram no banco para trocar dinheiro, supermercado (azeitonas de todas as formas e mais algumas e as mais variadas especiarias expostas que nem fruta foram uma visão curiosa) e para começar bem uma insistente busca por um local para arranjar um pneu que decidiu não colaborar e deixar escapar ar. É assim a vida. Depois de muitas voltas lá conseguimos quem tratasse dele por uns meros 2 euros :) 

Preparados para a viagem seguimos agora caminho para sul, em direcção a Marrakech. A meio ainda passei eu para o volante (afinal o soninho ainda serviu para alguma coisa) para o ricardo poder descansar um bocadinho e o sr. preguiçoso continuar a dormir =P Marrakech é grande, as casas todas em tons muito ocres da cor da terra e a paisagem envolvente constituída por montes despidos de qualquer vegetação, apenas com palmeirais já junto á cidade. É uma terra agreste tenho a dizer. Pessoas a recolher extensões gigantes de cereal com uma foice na mão dão-nos a perceber que a vida para estes lados não é propriamente repleta de facilitismos. Voltinha de carro pela cidade e a primeira refeição marroquina foi tudo menos marroquina, mas pronto, soube bem uma fastfood da pizza-hut xD Depois duma longa conversa do Ricardo com o sr. responsável pela permit para apanharmos bichinhos, seguimos á busca dum local para pernoitar. Lugares carotes ou sem quartos triplos acompanharam-nos um pouco ao longo de toda a viagem, mas lá arranjámos um sitiozinho simpático. De manhã iniciou-se a observação de bichinhos novos que só terminou no último dia da viagem. Andorinhões esquisitos e pequeninos (Apus affinis), pseudo-melros (Pycnonotus barbatus) e emberizas pardalescas (Emberiza sahari) foram os primeiros bichinhos do dia (caso não me falhe a memória) observados ainda em ambiente urbano. Planeados os próximos passos da viagem seguimos ainda mais para baixo em direcção á costa sul do alto Atlas.




















 O caminho? Fantástico =) Nada como uma boa estrada de montanha! Vales com galerias ripícolas verdejantes não faltaram. Isso e aldeias da cor da terra perdidas no meio da paisagem. Numa das várias paragens fotográficas fomos surpreendidos por um bando de centenas de gralhas de bico amarelo (Pyrrhocorax graculus) que por ali andava e que pôs á prova a habilidade fotográfica de todos os presentes, embora no meu caso por muito que tentasse não passavam de bichinhos pretos com asas a esvoaçar xD Lá pela hora do almoço, depois de passarmos uma pequena aldeia, que se avista num pequeno monte de pedras junto á estrada? Oenanthe leucura, que é como quem diz chasco-preto. Raios, é preciso vir para marrocos para ver uma (várias) coisinha destas. Paragem obrigatória, montagem de armadilhas, chamamentos e almocinho enquanto os bichos se decidem. Eventualmente lá nos fez a vontade e pronto :) bichinho apanhado, anilhado, medido, espetado, fotografado e libertado =P tenho a dizer que são giros :) Tralha toda arrumada, fazemo-nos novamente á estrada. Sempre a subir passamos os 2000m de altitude só para voltarmos a descer. Pelo caminho ainda deu para ver meia dúzia de muflões e alguns javalis, assim como algumas vistas engraçadas.


A descida foi uma bela aventura com condutores marroquinos a subir a toda a velocidade e sem se preocuparem minimamente com o facto da estrada ser um tanto para o estreita. Nós que nos desviamos se queremos. Eles não se chegam nem ás bermas. Ai ai. Os olhos andaram sempre atentos a possíveis locais para montar redes, mas as condicionantes eram muitas. Ou o terreno era demasiado inclinado, ou não tinha acessos, ou tinha marroquinos a mais. Não foi fácil. Um local acessível, relativamente plano e com vegetação estava normalmente repleto de pessoas. Podia parecer o mais remoto possível, mas alguém haveria de passar. It's true O.o 

Anyway... chegados ao sopé do Atlas a paisagem mudou bastante. A vegetação parecia um montado, não de quercus mas sim de argan, completamente sobre-explorado (embora não fosse esse o caso, apenas aridez a mais suponho), com o solo limpo e apenas meia dúzia de árvores espalhadas pelas encostas. Nas zonas planas, extensões enormes de cereal rasteiro e esparso espalhavam-se por toda a área. Ninguém chegou a perceber muito bem se aquilo era mesmo cultivado ou não, mas enfim. Com o dia a aproximar-se do fim continuámos a nossa busca por um possível local para montar redes. E encontrámos :) Problema? Pessoas. Mas como não encontramos alternativa viável, ali teve que ser. Voltamos para trás para não acampar tão perto da aldeia e no dia seguinte lá fomos nós. A 1a noite de campismo foi um tanto para o engraçada. Depois de ter sido gozada pelo tamanho e idade da minha tenda, assim como pelo trabalho que ela dá a montar, passamos ao jantar. Aqui tivemos a companhia de dezenas de insectos e formigas atraídos pelas nossas luzes, assim como dum sapito que decidiu dar o ar da sua graça. Na ida ao wc um possível leirão alegrou-me a volta e tive uma noite bem dormida :) De manhã fomos acordados por uma galerida que achou já estar na hora de se por a cantar e fez o favor de não se calar mais durante o resto do tempo. Pequeno almoço tomado e tenda arrumada, siga que se faz tarde. A neblina reinava os arredores, mas não nos deixámos intimidar :) E ainda bem. Este foi o dia mais produtivo da viagem inteira, com mais de 50 bichos processados e mais não sei quantos que se tiraram da rede e se soltaram. Foram caindo nas redes continuamente e mais depressa do que a nossa capacidade de tratar deles. Eventualmente teve que se fechar as redes pois já não tínhamos sacos para tanta coisa e ainda conseguimos ficar até depois das 6 da tarde para os soltarmos a todos. Não sei se me recordo ao certo do que caíu, mas... picanço-barreteiro, rola brava, pintassilgos, pardais domésticos e espanhóis, verdilhões, tentilhões, melros, polyglotas, cercotrichas, melanocephalas, galeridas e provavelemente mais coisas que não me vêm agora á cabeça foram alguns dos bichos que decidiram colaborar. Tralha arrumada e siga viagem.

Voltamos para a montanha para tentar bichinhos desta vez num ambiente mais florestal e menos agrícola. Estrada acima ficamos acampados numa zona de pinheiros e o esquema repetiu-se. Montar tenda, jantar, dormir, montar redes e esperar. Este foi um dia longo... os bichinhos não colaboraram muito... e os períodos de espera entre ir ás redes foram um tanto para o secantes, principalmente quando a expectativa de lá encontrar alguma coisa começou a descer consideravelmente. Mesmo assim acho que ainda chegámos aos 15 bichos e houve até quem tivesse feito uma espécie nova já no final do dia com um pombo torcaz. Ah! isso e um outro bichinho muito engraçado, dum dos meu grupos preferidos, sylvia deserticola =) Horas mortas á parte e o dia nem foi muito mau. Parus ater e major, assim como fringilla foram caindo nas redes e ainda deu para dar uma voltinha até perto da aldeia e ver mais um oenanthe leucura, umas dauricas e uma cia. Podia ser pior. Ao cair do dia seguimos viagem e passámos a noite num simpático hotel com um ninho de daurica no tecto. Para começar bem a ronda gastronómica só havia comidinha vegetariana (oh que xato), mas dada a hora tardia já não tinha grande apetite e cerca de metade ficou no prato. A sala de refeições era no entanto caricata, coberta de tapetes por toda a parte (chão e paredes), com sofás em cimento, mas todos almofadados. O banhinho antes de ir dormir soube-me mais que bem e os que me seguiram na manhã seguinte não tiveram tanta sorte =P A falta de electricidade deve ter dado cabo da água quente e houve gente a tomar banho geladinho =PP

Já o pequeno almoço foi bastante agradável para toda a gente, com uma bela paisagem para desfrutar. O dia foi passado a andar de carro, agora com rumo ao médio atlas, que é como quem diz para norte, e tenho que admitir que dormi uma boa parte do caminho inicial. Metidos outra vez em caminhos de montanha, ao menos estes eram bem alcatroados e suficientemente largos. Almoçámos rapidamente num vale, com um miudo a olhar para nós á espera que lhe calhasse alguma coisa e continuamos agora montanha acima e montanha abaixo e montanha acima. Andamos ás voltas á procura de um novo local para anilhar e depois de achado um belo trilho com umas condições circundantes bastante acolhedoras, montamos o estaminé. Como ainda tinhamos alguma luz puseram-se de pé logo algumas redes que renderam logo 3 bichinhos e no dia seguinte montaram-se mais 2 ou 3 e as armadilhas. A zona era muito gira, com um solo vermelho a contrastar com o verde forte da vegetação, as zonas douradas de cereal a darem um toque mágico á coisa, e a montanha nevada no topo no horizonte um quê de fantástico. Deve ter sido o local onde mais gostei de acampar e (apesar do sol e depois da chuva) de passar o dia. Os bichinhos não foram tantos como no primeiro dia, mas as espécies foram outras :) Aqui apanharam-se bastante sylvias (o que deve ter contribuído para o meu apreso por este lugar), algumas das quais andava ansiosa por ver :) Sylvia hortensis e conspicillata (fora as deserticola) foram as meninas do dia. Isso e um bichinho que penso até termos apanhado logo no primeiro dia, mas que aqui caiu com frequência, o Phoenicurus moussieri, ou rabirruivo-mourisco. Fora isso, fomos presenteados com um chapim-azul, que em marrocos são mais bonitos a meu ver, e um belo lagarto numa das armadilhas, fora outra tralha mais usual. A tardinha foi ameaçada pela chegada da chuva que nos fez recolher e arrumar tudo assim um bocado á pressa, mas sem realmente nos molhar. No entanto, já no caminho de regresso vimos que tinhamos saído á hora certa, pois mais horas de chuva e talvez não tivessemos conseguido passar uma ponte pela qual corria agora água.
O caminho para fora da montanha tenho que reconher que não me lembro de grande parte dele pois o sono abateu-se sobre mim. Tanto quanto me contaram os trilhos foram giros (que é como quem diz perigosos) e até foi preciso ligar a tracção. Não me recordo de nada =) Acordei já depois de passada a emoção e fui a apreciar as vistas e a pensar na vidinha o resto do caminho. Já á noitinha chegámos a Beni Mallal onde parámos para dormir. O hotel não era grande coisa, mas nem me queixo muito, tinha uma cama e uma casa de banho com água quente por isso serviu perfeitamente. Antes de irmos dormir ainda fomos procurar um sítio para comer pelo que andamos a vaguear um pouco pela cidade. Na rua, pessoas por todo o lado, com as lojas a começar a fechar já ás dez da noite. Nos cafés, homens, e apenas homens, a beber os seus chazinhos. Depois de entrarmos em alguns locais que já não estavam a servir refeições, acabamos por encontrar um pseudo-ramona, versão marroquina, que servia refeições relativamente rápidas até tarde. Saladinha para a je, e espetadas com batatas fritas para os restantes. Deu para encher a barriga. Já cansados e com sono (pelo menos eu estava xD) arrastámo-nos de volta para o hotel, banhinho e cama.

No dia seguinte mais uma viagem de carro da qual não me lembro em boa parte xD Acordei algumas vezes pelo caminho com caçadas a oenanthes. Esta gente não sabe ir descansada a conduzir. Fizemos algumas paragens para tentar apanhar o Oenanthe deserti, até que uma delas se revelou frutífera. Mais um bichinho bonito. Gosto de oenanthes :) isso dum bichinho que nunca tinha visto na vida (mas que também não existe para os nossos lados) e que tem um bico vermelho altamente :) Bucanetes githagineus. Achei-lhes piada que se há-de fazer xD A viagem de carro continuou  e eu só voltei á vida já numa agradável montanha no Parque Nacional de Ifrane com uma vasta vegetação alpina  bastante engraçada e por momentos até pareceu que tínhamos saído de marrocos. Corvos e peneireiros andavam por toda a parte, mas o nosso objectivo era mesmo um oenanthe, mais concretamente um seebohmi que era antigamente tratado como oenanthe oenanthe. Os bichinhos demoraram a colaborar e enquanto isso fomos vendo as vistas. Dum observatório para um grande lago pudemos avistar meia dúzia de aquáticas, entre as quais patos reais, galeirões, mergulhões de crista já em plumagem nupcial e patos ferrugíneos. Foi nice :) pelo caminho fomos seguidos por 3 cães supostamente pastores, já que o rebanho andava ali pertinho e como não conseguimos ver-nos livre deles, lá travamos amizade a fim de poder montar as armadilhas em paz. Claro está que para isso parámos para almoçar e fomos-lhes dando algumas coisitas :) apesar de tudo não nos deixaram fazer festinhas, mas pronto... não devem estar habituados a este tipo de intimidades coitados =P
Um macho de seehbomi lá decidiu cair numa das armadilhas, tratamos-lhe da saúde (lool o bichinho ficou em perfeitas condições!) e seguimos viagem. Antes de abandonarmos a montanha ainda fomos presenteados pela presença de dois grupos de macacos de gibraltar que por ali andavam calmamente a alimentar-se :) já posso dizer que vi macacos africanos eheh :) Como se não chegasse vi ainda pela primeira um rolieiro! São bichos bem bonitos com toda aquela coloração azul :) Toda a região de Ifrane é bastante agradável, repleta de lagos e riachos, com um ambiente extremamente fresco e húmido, completamente diferente do resto de marrocos. A cidade em si parece saída de uma qualquer cidade europeia, com casas com telhados altos e pontiagudos e com as ruas todas bem arranjadinhas. Passamos a noite numa zona já mais afastada da cidade numa casa muito gira, com um estilo assim a dar para o rústico e que até pavões tinha no quintal! O tempo estava a ameaçar-nos a sessão de anilhagem do dia seguinte com chuva e ventos fortes, mas a manhã nasceu calma e não fosse o facto de o termos sido trancados de noite até poderíamos ter saído cedinho. Á minha janela dormia um pavão no canteiro das flores e que estava a guardar cuidadosamente 3 ovinhos =)

Saímos sem o pequeno almoço tomado na promessa de voltar após montar as redes. De volta a um dos lagos metemo-nos para o meio do pinhal e começamos a montar as coisas. Lá pelas nove já estava tudo montado, mas chegaram uns miudinhos e como tal não pudemos abandonar as coisas para irmos todos ao pequeno almoço. Assim sendo, ficou uma pessoa de castigo =P enquanto eu e o ricardo fomos ao peq. almoço.
Na volta estava alguém todo satisfeito com um coccothraustes numa mão já um tanto para o ensanguentada. Sempre a reclamar das bicadas do bichinho, depois de limpas as  mãos os estragos já nem pareciam muitos =P Saco para proteger as mãos para a fotografia e lá se soltou o bichinho. Infelizmente não caiu mais nenhum, mas pronto... De seguida foi a vez da foto de uma tordoveia e o sr. pode finalmente ir tomar o seu pequeno almoço. Eu e o ricardo ficamos a tratar dos bichinhos que faltavam, a inspeccionar as redes quando necessário e apanhar libelinhas nas horas vagas. Mais uma vez não se apanhou muita coisa, mas apareceram finalmente serinus e vi pela primeira vez (triste eu sei...) um gaio lol xD Há coisas assim =P (ou pessoas assim xD) A meio da tarde fizémo-nos novamente á estrada e escusado será dizer que dormi uma boa parte do caminho >.< Virados a Oujda já quase na fronteira com a Argélia, passamos  Taza e mais meia dúzia de cidades com um ar extremamente turístico. Já por volta da meia noite andamos perdidos em Berkane á procura dum hotel, mas sem grande sucesso. Perto dum deles havia no entanto sinal wireless pelo que o pessoal ainda se entreteu a ver mails e a fazer chamadas via skype. O ricardo aproveitou para ligar ao sergei para fazer o ponto da situação ao qual ele reclamou a falta de sittas e troglodytes. Not our fault... xD A dormida foi dentro do carro nos arredores da cidade e de manhã fizemo-nos novamente á estrada para procurar um sítio simpático para apanhar bichinhos.

Voltinhas e mais voltinhas e em Taforalt fomos falar com o responsável pela reflorestação da área. Esperar, esperar, esperar que o senhor estava ocupado e depois  lá veio connosco mostrar-nos eventuais sítios. Já todos satisfeitos dirigimo-nos á policia local onde o Ricardo teria que se apresentar, mostrar papelada e tal, etc. Esperámos e esperámos no carro só para ve-lo regressar chateado. Ao que parece a permit não dava para aquela zona... Weee horas e horas de viagem perdidas...!!!!! Não tinhamos autorização para apanhar nada nem ali nem em Taza, só mesmo mais a norte, na zona do Riff. Vontade de matar alguém... Convidamos o sr. que nos ajudou  e que tão hospitaleiro foi para connosco para almoçar e ainda fomos convidados a casa dele e a visitar o viveiro. Quando conseguimos finalmente livrar-nos dele voltamos mais uma vez á estrada, desta vez em direcção já á nossa última paragem: Chefchaouen. Resto do dia em viagem, paragem para dormir numa pousada da juventude e continuação até ao destino. Pelo caminho foram-se recolhendo amostras de bichinhos atropelados para tornar a coisa mais produtiva, entre os quais pardais, um trigueirão e um athene.

Pela hora de almoço já estávamos num pinhal perto de Chefchaouen a comer qualquer coisita e seguidamente a montar as redes. A tarde foi longa e aborrecida... as coisinhas com penas decidiram não colaborar de todo e a folha de anilhagem teria ficado em branco não fosse o facto de ter caído um bicho, já sem penas e sem cabeça numa das redes... weeiiird... foi uma cena um tanto para o macabra tenho a dizer xD Mas são coisas que acontecem... alguém ficou foi sem jantar =P Esperámos até ao anoitecer, mas sem sucesso... =/ Seguimos para a cidade para dormir e jantar (mais uma pousada da juventude...!!) e de manhãzinha voltamos para trás para uma zona de sobreiral. A extensão de floresta era fenomenal e nós ao fim de algumas voltas lá conseguimos arranjar um acesso. Montar redes e esperar. Mais uma vez os bichinhos não colaboraram muito, mas ao menos volta e meia caiu qualquer coisa. Dendrocopus major foi uma novidade para mim (tão pertinho) e Picus vaillantii, embora este último não tenha caído nas redes. Outro bichinho que ainda não tinha colaborado foram as atricapilas e as trepadeiras, mas desta vez lá decidiram participar. Os gaios passaram o dia a chatear-nos e quem sabe a afugentar-nos a bicharada, e como se não chegasse ainda houve pessoas que deixaram bichinhos fugir... (guilty as charge) Apesar de tudo, dada a potencialidade do local decidimos passar ali a noite e anilhar na manhã seguinte. Fechar as redes e já ao cair da noite montar a tenda enquanto se ouvia um grande número de chamamentos de Otus scops. Porque não tentar? Re-abrir algumas redes e ligar o mp3 e poof. Não tinhamos ainda saído do local e já estavam 2 bichinhos na rede =) coisinhas pequeninas muito fofinhas com muitas penas e ainda com umas garras simpáticas (segundo os comentários de uma certa pessoa, já que eu não experienciei tal coisa =P). Sem dúvida o momento alto dos últimos dias =) Fotos aos bichinhos, deixa-los ir á vidinha deles e arrumar tudo outra vez para poder ir jantar e... dormir :) A manhã não foi lá muito produtiva e foi por pouco que não chegámos aos 150 bichos no total. Podia ser pior... Batemos o recorde das viagens anteriores :) mas não fossem os dias perdidos em viagens desnecessárias e teríamos provavelmente chegado aos 200. Quem sabe não voltemos para o ano? =D

Manhã passada, arruma-se tudo e segue-se de volta para Tanger para apanhar o ferry. Felizmente entramos logo no primeiro, mas não sem antes esperar um bom bocado que o nosso carrinho passa-se pelo raio-x. A viagem de barco foi até bastante divertida, passada em boa parte na parte de fora  na zona supostamente dedicada aos fumadores e onde a força do vento era um bocadinho para o forte digamos eheh :) Já em espanha pelas 6 da tarde, chegamos a território nacional lá pelas 11 e pouco da noite. Paragem para jantar (não tinham comidinha para mim T-T) e seguir viagem. O ricardo entretanto ficou com sono e quem veio a conduzir até casa com dois marmanjos a dormir fui eu. Estes homens de hoje em dia.... =P Pouco antes das 3 da manhã já estava na minha casinha e assim se foram 12 dias. Balanço final? Positivo :) Não fosse a ajuda de alguém e se calhar a coisa não teria corrido tão bem... isso e talvez não tivesse tido tanta piada... (de certeza?) Enfim =) Habituava-me bem a esta vidinha... =P Mas como não pode ser... de volta ao computador e aos trabalhinhos para fazer. Weee >.<



segunda-feira, 7 de março de 2011

Coisinhas com penas

5 am. Ah cinco da manhã =) Já lá vai o tempo em que isso era a rotina. Feeling? Great =D Lá fora não há ainda sinais do sol, nem das habituais gaivotas. Interrogo-me onde dormem. Embrenho-me na escuridão e sigo rua acima. Ao contrário do que esperava o silêncio não reina nas ruas. É possível ver carros para cima e para baixo, pessoas a entrar e a sair, toda uma azáfama que não conheço. Está fresco, mas não muito. Ao fim de alguns metros já o sangue me corre quente nas veias e o casaco passa do corpo para as mãos. Chego ao metro mais do que a tempo e em Mindelo encontro a minha boleia já à espera. Próxima paragem? Casa do sr. Sergei. Desembrulhar postes novinhos para as redes é a primeira tarefa do dia. Seguidamente arrumar a tralhar toda no carro e seguir viagem. 

Uma pequena paragem para ver meia dúzia de tritões marmorados extremamente entretidos, esvaziamos o carro e distribuímos a carga. A caminhada não é muito longa, mas o suficiente para deixar de sentir os dedos. Chegamos já em pleno dia, mas enfim. Há que começar a montar as redes. Os senhores entendidos no assunto não me parecem assim tão entendidos, mas vou ajudando como posso. O solo arenoso não ajuda muito e o primeiro poste acaba por cair várias vezes antes que se consiga segura-lo em condições.  


Montadas as 2 primeiras redes sou deixada a guardar o material. Feeling? Viva a descriminação. Deixemos a menina a guardar as coisas enquanto os machos vão cortar mato e montar o material. Grrrrr. Tenho que confessar que fiquei um tanto para o chateada.  Frustrada? É que ficar parada a olhar para o ar não faz bem o meu género. Como seria de esperar não consegui ficar muito tempo parada e fui explorando o que por ali havia. 
O espaço é relativamente agradável. Apesar do frio os bichinhos vão-se manifestando, mas vê-los é mais complicado. Lá para as 9  cai o primeiro bichinho, um Phylloscopus collybita. Ainda avisei os entendidos, mas recebi um "deixa estar" como resposta. Como não sabia onde estavam os sacos e também não queria correr o risco de deixar o bicho ainda mais enrolado do que ele já estava, deixei-me estar inquietamente sossegadinha à espera que eles regressassem.

Uns vinte minutos depois vêm com uma carriça na mão que logo após se ter ligado o mp3 se fez á rede. Vão buscar o Phylloscopus e vão montar mais não sei quantas redes, enquanto eu fico mais uma vez a guardar o material. Poucos minutos depois de saírem, cai uma Sylvia atricapila, mas mais uma vez deixo-me estar quieta, não vá eu fazer asneira. Ando para trás e para frente, sento-me a pensar na morte da bezerra, tento ouvir o que por ali anda, faço desenhos na areia, farto-me e vou ver as segundas redes. Prunella modularis, Sylvia atricapila e 2 Phylloscopus collybita são os bichinhos pendurados. Volto para trás e felizmento os srs. já estão a preparar as coisas para começar a tratar dos saquinhos. Dadas as notícias de mais coisinhas nas redes, lá vamos nós busca-las. Depois de ter ouvido um "It's the first time I'm doing this" é com alguma surpresa que vejo o aluno do Sergei a tirar um collybita da rede como se já tivesse feito aquilo inúmeras vezes. Definitivamente, o meu cuidado e gentileza não devem ser úteis para o processo, mas que posso fazer? Parecem-me tão frágeis.
    De volta à base, penduram-se os bichinhos, espalha-se o material na mesa e dá-se inicio à coisa. O Sergei começa por dar a ficha de anilhagem ao  Marcus (ou lá como se chama o rapaz), mas rapidamente a passa para as minhas mãos dada a lentidão do rapaz em conseguir sequer saber qual o bicho em causa e como se escreve o nome xD
   E foi uma manhã bem passada :) que se prolongou até ao final da tarde... mas que me soube muito muito bem. As espécies não foram muitas, mas chegou á dezena: Phylloscopus collybita (muitos... quem sabe ibericus? lool xD), Prunella modularis, Troglodytes troglodytes, Sylvia atricapila, Sylvia melanocephala, Parus major, Parus ater, Parus cristatus, Certhia brachydactyla, Erithacus rubecula, enfim tralha... e.... para grande surpresa de todos quando saiu de dentro do saco, um Regulus regulus fêmea ^^ Todos os bichinhos tiveram direito a foto, mas eu só tirei meia-dúzia (digamos que só me lembrei já a meio da tarde).


  Total de 46 bichinhos apanhados, entre os quais 45 anilhados e 1 recaptura, e 45 novas amostras para mim (uma carriça decidiu fugir antes de alguém lhe tirar sangue). Enfim =) Os chapins são coisinhas simpáticas, que se devem achar uma grande coisa, e que só porque têm bico e nos conseguem chegar aos dedos, têm o direito de nos bicar.  Coitaditos =P

Uma experiência a repetir espero :)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nightmare's over

E é o fim. O fim definitivo. O ponto final parágrafo que se acabou a história. Nem acredito. Estranhamente não me corre nem felicidade nem alívio nas veias. Apenas frustração. Mas também que outro sentimento poderia correr depois do que foi o culminar de um ano de frustrações? Nada suponho. É arrumar a mala, mandar fora o que está velho, não interessa ou pesa de mais, e seguir viagem que a linha não terminou e ainda há muitas estações pela frente (estas metáforas andam um tanto para o fraquinhas... ainda por cima porque estou numa estação de comboios... mas enfim... é o que há no momento).

Falemos de coisas mais felizes =)

A minha ida à Faia Brava!

Quinta-feira... belo dia passado no campo :) temperaturas extremamente agradáveis, bichinhos um pouco por todo o lado, embora sempre bastante escondidos, e alguns que ainda não tinha visto por lá, Oenanthe oenanthe, Motacilla cinerea e Ficedula hypoleuca (embora esta ache que já a tinha visto loool). Nada do outro mundo. Caminhada pelo vale de manhã e nas encostas de Cidadelhe de tarde. Pela primeira vez acompanhada, foi uma experiência engraçada. Pequena paragem para a recolha de bagas de pilriteiro, ainda se discutiu que talvez fosse melhor disponibilizar as bagas em comedouros de modo a que as sementes germinem no próprio ano  (após passarem pelo intestino dos bichinhos) do que esperar 2 anos pelo processo "normal". No final do dia, lá pelas 7 da tarde, ainda fomos tratar dos pombais, pelo que só saímos de Cidadelhe já depois de escurecer. Mesmo à saída, e para acabar o dia em grande, avaria na carrinha. Yupi! Telefona-se à assistência de viagens e 40 minutos depois lá aparece o reboque. Quem nos salvou a vidinha foi a Tina, que ainda por cima é uma querida e tinha já o jantar à nossa espera, incluindo um prato especial para mim ^.^
Sexta-feira, dia xato de volta da apresentação... mas Sábado já foi bem melhor =) Saída de manhã para passear com mais meia dúzia de pessoas (embora a grande maioria, da casa) pela Faia, a fim de ver bichinhos. Partida na Sabóia (para variar) em direcção à Resenha, passando pelo antigo cercado dos Garranos. Pelo caminho Saxicola torquata, Monticola solitarius, Anthus pratensis (embora com algumas duvidas...),  e as habituais Galerida theklae, Lullula arborea, Certhia brachydactyla, Sylvia melanocepahala e cantillans, já para não falar nos melros, andorinhas e grifos. Nos pinhais da Resenha, esperava-nos o Paulo Tenreiro para nos falar e mostrar um pouco, o que é a anilhagem. Sem dúvida o ponto alto do passeio, já que pudemos estar em contacto com os bichinhos que normalmente só vemos de longe e com binóculos. Pequeninos e fofinhos, é outra coisa te-los tão perto =) O mais engraçado foi mesmo ver a cara de felicidade dos 3 anilhadores enquanto cada um deles segurava pela primeira vez uma pega-azul =P No momento da soltura ainda me fiz a uma delas sem levar nenhuma bicada, ou provocar algum estrago, pelo que foi giro =)
Depois do almocinho, seguimos viagem para grande infelicidade minha... já que o que me esperava era um acidentado passeio pelas encostas da reserva durante a hora de maior calor, e onde para além das andorinhas e dos grifos, não se viu nada. A paisagem, essa sim vale a pena, mas também já não era novidade...


De volta à Sabóia, voltamos, mas agora de jipe, para ao pé do Paulo que aparentemente já fechou as redes e se encontra a almoçar. No entanto combinamos as coisas para as mudar para a Sabóia no final da tarde  e seguimos até Algodres para um cafezinho no sr. henrique.

O final da tarde é passado até ao anoitecer a montar redes e durante o processo ainda caíu uma Emberiza cirlus (mais um bichinho novo para mim...xD) numa delas. Redes montadinhas e fechadas, foi só voltar a Figueira e caminha =) Se bem que pelo meio ainda houve tempo para um chazinho com o pessoal :)

Domingo, sair ás 5 da caminha (já lá ía algum tempo desde a última vez) e seguir para a Faia para abrir as redes e dar início à sessão de anilhagem. O tempo não ajudou muito, chuviscos e posteriormente chuva, acompanhada de ventos fortes, não permitiu muitas capturas. No entanto ainda pudemos contactar com Sylvia borin (mais uma espécie nova :) ), Certhia brachydactyla, Cyanistes caeruleus e Turdus merula (não sei se umas melanocephala também à mistura, mas enfim...). Apesar de tudo foi uma manhã muito bem passada ( =$ ). Da parte da tarde sessão teórica e assim se passou um fim de semana :)

Segunda foi o dia crítico, agora mais que ultrapassado (isto de levar dias a escrever um post, tem muito que se lhe diga...) e terça dia de preguicite. Hoje primeiro dia de aulinhas =3 Foi giro... chuvinha logo de manhã, autocarro, metro, carrinha e finalmente campus do vairão. Espaço relativamente agradável, rodeado de vegetação extremamente  autóctone (cof cof eucaliptos e mimosas já fazem parte da flora nacional), mas equipado com piscina exterior e tudo =D Desenho experimental para começar, abordou-se um pouco a filosofia da ciência e coisinhas mais normais sobre estatística. Amanhã há mais =P